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Cultura da Vida: o valor dos embriões humanos não pode ser medido pela IA
Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 45° encontro, o valor dos embriões humanos não pode ser medido pela Inteligência Artificial.
Vatican News
Olá, amigos da Rádio Vaticano! Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida.
Hoje, queremos refletir sobre um problema bioético envolvendo o uso da inteligência artificial e a manipulação de embriões para fertilização in vitro. Talvez muitas pessoas ainda não saibam, mas hoje se fala sobre o uso dessa tecnologia para auxiliar na seleção de embriões humanos produzidos em laboratório, para processos de reprodução artificial por fertilização in vitro.
Primeiramente, é importante ressaltar que o problema ético sobre a reprodução artificial não muda com o uso da inteligência artificial. A Igreja se opõe a fertilização in vitro porque a técnica retira a transmissão da vida do contexto da relação de amor do casal, e além disso, a técnica manipula, congela e descarta embriões humanos, que são seres humanos e merecem respeito (Donum Vitae, 6).
Então onde entra o uso da inteligência artificial nesta técnica agora? A inteligência artificial está agora sendo usada para identificar padrões dos embriões, por meio de imagens, monitorando a qualidade destes embriões e buscando aumentar a eficácia da reprodução artificial.
Em termos éticos, permanece havendo o mesmo problema, porque continuam sendo gerados, manipulados e eliminados embriões, mas agora com apoio de uma nova tecnologia. A inteligência artificial vem para aprimorar uma técnica que já está inserida em um processo que viola a dignidade humana.
Sabemos que a vida começa na concepção. A partir da fecundação do embrião, temos já todo o código genético dessa nova pessoa.
É importante lembrar que embriões não são simples imagens analisadas por um computador, nem simples conjuntos de células. Estamos falando de um ser humano nos primeiros estágios de seu desenvolvimento.
Ou seja, a técnica está mudando, mas a proposta da reprodução artificial continua totalmente fora do plano de Deus para a transmissão da vida.
Quanto ao uso de inteligência artificial em diferentes contextos, recentemente, o Papa Leão XIV publicou a encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Nesse documento, o Papa faz uma advertência muito importante: “Mais poderoso não significa necessariamente melhor” (n. 92).
E essa afirmação nos ajuda a compreender que o desenvolvimento tecnológico, por mais sofisticado que seja, precisa estar sempre acompanhado de uma reflexão moral.
A reprodução artificial - quer seja a fertilização in vitro ou a inseminação artificial - não é o caminho recomendado pela Igreja para os casais que enfrentam uma dificuldade de engravidar.
É pertinente dedicarmos uma especial atenção pastoral e humana para com os casais que enfrentam o drama de não conseguirem engravidar naturalmente. E devemos lembrar a eles que as técnicas de reprodução artificial, além de estarem em desacordo com os planos de Deus, não curam a causa desta condição de infertilidade.
Existem abordagens de medicina integrativa ou, principalmente, a naprotecnologia (NaproTechnology®) que são totalmente éticas, uma vez que não substituem o ato conjugal e nem manipulam embriões humanos. A medicina deve buscar identificar as verdadeiras causas da infertilidade do casal, para que assim possa realizar um tratamento que reestabeleça a sua saúde reprodutiva, e se possa conceber naturalmente depois de tratado.
Uma abordagem assim, que cura a causa da infertilidade, mantendo a transmissão da vida como fruto da união física do casal, é verdadeiramente ética, porque respeita tanto o casal, como pacientes que necessitam um tratamento a sua condição de saúde, como também, é ética e responsável com as vidas que serão geradas.
A Igreja ensina que o desejo de ter filhos é legítimo, mas ele não pode justificar procedimentos que coloquem em risco ou desrespeitem a dignidade de outros seres humanos, ainda que estejam nos primeiros instantes de sua existência.
Por isso, queridos amigos, diante de tantos avanços da medicina e da inteligência artificial, precisamos fazer essa reflexão. O verdadeiro progresso científico não pode ser medido apenas pela eficiência dos resultados, mas também pelo respeito à dignidade humana.
Uma sociedade verdadeiramente comprometida com a cultura da vida precisa reconhecer e proteger essa dignidade desde a concepção, especialmente quando se trata daqueles que são mais frágeis e incapazes de se defender.
Este foi mais um Espaço Cultura da Vida. Um grande abraço a todos e até a próxima!
